TESTEMUNHOS DE VIDA.
ABBR I.jpg
RUBENS SOUZA
RIO DE JANEIRO / RJ.
SOFRI UM ACIDENTE NO ANO DE 1999 - FIQUEI PARAPLEGICO, UM ANO DE HOSPITAL EM HOSPITAL, UM ANO INTERNADO NA ABBR, DOIS ANOS E MEIO DE CADEIRA DE RODAS, HOJE ANDO COM AUXILIO DE UM ANDADOR. LUTANDO DIA APÓS DIA E VENCENDO COM DETERMINAÇÃO E FORÇA DE VONTADE, SUPERANDO OS OBSTACULOS DA VIDA SEM DESANIMAR NUNCA:
HOJE SOU:
** UNIVERSITÁRIO - FACULDADE SIMONSEN ( PEDAGOGIA ) FORMADO.
ESTUDANDO PÓS-GRADUAÇÃO!!!
** TRABALHANDO NA ASSOCIAÇÃO COMUNITARIA DIFERENÇA **
TRABALHANDO COM INCLUSÃO SOCIAL, EM ESPECIAL COM O PORTADOR DE NECESSIDADE ESPECIAL. ESPORTE, LAZER, CULTURA, TRABALHO, VIDA!!!
SITE: www.projetodiferenca.xpg.com.br
EMAILS: projetodiferenca@oi.com.br
celebraifm@bol.com.br
TEL: (21) 92115104 / 32913602.
**************************************************************************
DOÇURA AMARGA.
"Nunca me dei o direito de desistir, nem nos piores momentos. Eu acredito muito na vida"
Mônica Pinto Messias, 36 anos
Doçura Amarga
O livro de Mônica ainda está a venda. Quem quiser comprar um exemplar (R$ 15), pode ligar para a autora, no telefone 3248-5901. E-mail: monicamessias@uol.com.br
Uma história recheada de emoção. Depois de ouvir tudo o que aquela moça diz, só fica uma certeza: a vida é mesmo uma lição diária. Às vezes, inexplicável. Às vezes, dolorosa. Às vezes, um verdadeiro milagre. E ela, a protagonista dessa história, mesmo com todas as marcas que isso lhe causou, apostou apenas na vida: "Vivi sempre esperando o dia seguinte. Eu acreditava que uma coisa muita boa ainda fosse chegar".
Segunda-feira, 11h30 da manhã. Lá está Mônica Pinto Messias, hoje com 36 anos, moça bonita, de cabelos compridos e sorriso apaixonante. A conversa é na sala espaçosa, da casa com poucos móveis, com piso de tábua corrida, na QL 10 do Lago Sul. Os olhos da moça, mesmo opacos, revelam expressividade. Ela fala da vida como se contasse uma história. Uma longa história. Ela sabe que é a melhor - por mais dolorosa - que tem para contar.
Para entender como essa história começa é preciso retroceder. Voltemos aos dois anos de vida da menina. Nessa época , o médico recomendou, sem explicar muito aos pais, uma dieta alimentar. Fez apenas restrição ao açúcar. Mas não alertou mais que isso. A menina crescia, junto com seus três irmãos. Era peralta e até então saudável. Aos 11 anos, uma tosse muito forte a levou ao médico novamente. Suspeitava-se de bronquite. Gordinha, ela começou a emagrecer assustadoramente. Sentia muita sede, bebia muita água e fazia muito xixi.
Um exame detectou glicemia alterada (níveis altos de açúcar no sangue). Era diabetes do tipo 1, o mais grave. E a recomendação médica foi mais rigorosa quanto à dieta. Aos 11 anos, a menina passou a fazer uso de insulina. Mas a vida seguia. Aos 14, ela era uma adolescente saudável. "Como eu jogava vôlei e tinha sempre uma atividade física, de vez em quando eu fugia da dieta. Comia doce e chocolate, minha tentação", conta.
Mas veio a rebeldia da adolescência. As amigas eram todas muita saudáveis. E ela queria ser igual às meninas de sua idade. "Vivia como se não tivesse diabete. Comia de tudo. Quando exagerava, a única coisa que sentia era muita sede e ia mais vezes ao banheiro", lembra.
Aos 17 anos, estudiosa, fora aprovada em dois vestibulares. Cursava educação física de manhã e psicologia à noite. "E ainda trabalhava à tarde numa loja. Me sentia o máximo porque comecei a ter meu próprio dinheirinho." A vida, o diabetes e as aplicações de insulina continuavam. Aos 19 anos, Mônica foi morar em Londres. Queria aprender inglês. Lá, por seis meses, admite que se descuidou da dieta. "Fui mais negligente." Chocolates, sorvetes e todas as guloseimas doces entraram no seu cardápio. Sem culpa.
O início do drama
Na volta ao Brasil, Mônica terminou o curso de educação física, arrumou um emprego na Câmara dos Deputados e levava, mesmo com as doses diárias de insulina, uma vida ainda normal. Saía com os amigos e, de vez em quando, se permitia escapar da dieta. "Eram sempre escapadas com muita culpa", recorda-se.
Aos 23 anos, um exame de fundo do olho revelou o que de pior estava por vir. O médico lhe disse que havia pequenas hemorragias (derrames) nos vasos do olho esquerdo. Sinal de que o diabetes estava começando a apresentar danos. "É uma doença que vai te destruindo silenciosamente. Quando aparecem os sinais, são quase irreversíveis", reconhece.
A dieta teve que ser mais rigorosa ainda. E mesmo assim, a hipoglicemia (baixos níveis de glicose no sangue) não era mais controlada. Vieram os desmaios freqüentes. E as primeiras complicações renais (também em função do diabetes) começaram a aparecer. Mas, naquele momento, a maior preocupação era com os olhos. A visão estava cada vez mais embaçada. Aos 24 anos, tentou-se uma cirurgia, em Goiânia. Mônica nunca mais enxergou do olho esquerdo. Só lhe restava, então, a visão do olho direito. Foi, de fato, o primeiro grande golpe da doença.
Aos 25 anos, enquanto assistia a um programa de televisão, uma mancha vermelha (na verdade uma grande hemorragia) cobriu-lhe todo o olho direito. Foi a última vez que enxergou alguma coisa. Mônica ficara cega. "Mas eu ainda tinha alguma esperança de que a situação se revertesse". Onze anos depois, a visão nunca mais foi recuperada.
O rim e o pâncreas
A moça bonita teve que se adaptar ao difícil momento que a vida lhe reservara. Aos 25 anos, no auge da produtividade, cheia de planos e sonhos, namoro, estava sem visão. E o golpe mais duro: enxergar-se como uma pessoa cega. "Sempre tive aflição de gente cega. Me lembrava, quando era adolescente e andava de ônibus, daquelas pessoas entrando e pedindo esmolas." Mas ela precisava encarar o novo momento. Foi aprender braile numa escola para deficientes visuais, na 612 Sul. "Ali, comecei a mudar meu conceito sobre pessoas cegas", diz, emocionada.
E o drama não parou por aí. Os rins começavam a falhar. E vieram as dolorosas sessões de hemodiálise e depois diálise peritonial. Mônica vivia em hospitais. As crises eram terríveis. Quando voltava para casa, procurava fazer alguma coisa que lhe desse prazer. Descobriu que escrever era uma delas. Com um computador adaptado para cegos, escrevia coisas sobre ela mesma, sua família, os amigos. "Coisas que nunca falava para ninguém. Mas era apenas para passar o tempo.".
Os escritos ficaram cada vez mais constantes. Mônica passava noites em claro escrevendo. Quando percebeu tinha feito um livro. O nome? Doçura amarga, conseqüências do diabete. Em agosto de 1999, com recursos próprios, o livro foi lançado. Virou um sucesso.
Mas os problemas de saúde continuavam. Os rins, definitivamente, pararam de funcionar. As crises de hipoglicemia eram quase diárias. Só havia uma saída: transplante. O pai de Mônica, vasculhando a internet, descobriu que em São Paulo uma equipe realizava, ainda em caráter experimental, um duplo transplante: de rim e pâncreas (órgão responsável pela produção de insulina). Seria uma tentativa. A única chance para continuar vivendo.
Ainda em 1999, ela e mãe, a professora de música Virgínia Messias, de 60 anos, mudaram-se para São Paulo. Mônica submeteu-se a uma baterias de exames. Entrou na fila de doador cadáver. A espera era angustiante. Em 2002, um telefone de madrugada, a chamou para o grande momento. Havia um rim e um pâncreas a sua espera. No Hospital Albert Einstein, na capital paulista, Mônica passou sete horas dentro de um centro cirúrgico. A cirurgia, a princípio, foi um sucesso. Três meses depois, ainda internada, o rim parou de funcionar. Era, mais vez, a esperança indo embora.
Mas o inesperado bateu à sua porta. Como milagre, sete meses depois, em novembro de 2002, um novo rim chegou. Mais um transplante, no mesmo hospital. Em 2003, a equipe médica lhe deu alta. Há quase três anos, Mônica está de volta a Brasília. Leva uma vida normal. "Nem restrição a açúcar eu tenho mais", conta. E brinca, com um sorriso encantador: "Mas não como muito para não perder a forma".
Matriculou-se numa academia de ginástica perto da sua casa. Vai, todos os dias, com a mãe, sua inseparável companheira. Faz musculação e alongamento. E voltou a fazer planos. "Nunca me dei o direito de desistir, nem nos piores momentos. Eu acredito na vida", diz, com os olhos marejados. Depois, abre um sorriso e comenta, deslumbrada com o atual momento: "É ótimo acordar na madrugada e fazer xixi. Sinto uma enorme sensação de bem-estar. Cada dia tô mais próxima do que era". Sobre a cegueira, um momento de silêncio. E a confissão: "Continuo, mesmo depois de 11 anos sem enxergar, tentando me adaptar a ela. Ainda é muito difícil".
Duas horas e meia ouvindo Mônica falar é ter a certeza de que a vida é mesmo um grande desafio. E, por algum motivo ainda não explicado, algumas pessoas o fazem melhor. Essa moça é o grande exemplo disso. Deixa até o ser humano mais humano.
** Fonte: (Jornal Correio Braziliense, repórter: Marcelo Abreu) – Data: 04/07/06 **
***************************************
***************************************
AJUDA E INFORMAÇÃO SOBRE DIABETE:
Associação de Diabéticos de Brasília - Atendimento e apoio aos pacientes e famílias - Centro de Saúde 6 (605 Sul). Telefone: 3244-2129
Programa de Educação, Controle de Diabetes - Orientação, distribuição de insulina e medicamentos e apoio. Hospital Regional de Taguatinga, ambulatório. Telefone: 3353-1247
Programa de Educação em Diabetes Mellitus - Atendimento, orientação e apoio aos pacientes e familiares. Hospital Universitário de Brasília (HUB), ambulatório. Telefone: 3448-5253.
**************************************************************************
**************************************************************************